Minimalismo

Vida Minimalista: algumas considerações

por Camile Carvalho em 11/06/2017

Vida Minimalista: algumas considerações | Camile Carvalho - Vida Minimalista

Um belo dia, resolvi criar o grupo do facebook com o mesmo nome do blog (Vida Minimalista) pra reunir leitores e amigos que buscavam informações sobre minimalismo e simplicidade. O grupo cresceu e hoje contamos com mais de 13 mil membros (e cada dia aprovo em torno de 100 pessoas novas).

A troca de informações é linda. Pessoas começando a repensar seus hábitos de consumo, outras que já vivem uma vida simples passando suas experiências, mas há alguns pontos que acho necessário trazer aqui pra debatermos:

O minimalismo como um fim

Reduzir seus pertences e manter o que você ama é uma ferramenta, um caminho. Quando conseguimos analisar nossas vidas, estabelecer prioridades e trabalhar o desapego, conseguimos mudar de forma global nossas vidas, relacionamentos e forma de encarar o mundo. Passamos a repensar nossos hábitos de consumo, a ter uma visão ampla de como nossos hábitos influenciam tudo ao nosso redor e passamos a nos tornar co-responsáveis pelo planeta. No entanto, o que percebo às vezes são pessoas querendo chegar a um determinado número de itens, peças de roupas etc. pelo simples prazer de falar “tenho X itens, sou minimalista”. Mas, será que em todos os casos a pessoa está feliz? Minimalismo não é um fim, uma meta, mas sim um caminho pra algo muito mais importante.

O minimalismo como privação

Puxando o gancho do tópico anterior, quando encaramos o estilo de vida minimalista como uma privação, isso vai gerar sofrimento. Tudo bem manter sua coleção de CDs, caso você goste, ouça faça uso. Tudo bem também manter seus livros, sapatos, o que for, contanto que tudo isso esteja em constante movimento. Claro que sempre dá pra doar alguns, nossos gostos mudam ao longo do tempo, mas minimalismo é encontrar a felicidade nas pequenas coisas, ter ao seu redor aquilo que você realmente ama e não viver com menos num constante estado de privação e angústia.

Cada um tem suas necessidades

Vejo muitas perguntas sobre quantidade correta. Quantas blusas devo ter? Quantas calças? O que esquecemos é que cada pessoa tem uma rotina de trabalho, atividades e diversão diferente. Não dá pra esperar que uma advogada que trabalha com roupas mais clássicas tenha o mesmo guarda-roupas que uma professora de yoga que passa o dia de legging e tênis. Somos diferentes! Portanto, deixar pra trás a fixação por quantidades é uma forma de desapego. Que tal começarmos a trabalhar nisso também?

Inspire-se, não copie

Já que cada um tem necessidades diferentes, não tente seguir o esquema que o colega faz. Claro que é sempre bom compartilharmos um pouco de nossas vidas a fim de inspirar outras pessoas, mas jamais sinta-se obrigado a seguir o mesmo padrão que os outros. Você é único, pegue as ideias e adapte-as de acordo com sua realidade. Há alguns que moram na cidade, outros que moram no campo. Uns são aposentados, outros estão na faculdade e trabalham o dia inteiro. Seja flexível e não absorva críticas caso alguém fale que a sua forma de viver não é minimalista. Cada um sabe de sua própria história e apenas nós mesmos podemos olhar pra si e fazer uma autoanálise. Além do mais, não estamos em busca de rótulos, mas sim qualidade de vida e responsabilidade para com nosso planeta.

Desapegue do rótulo

Não há troféu para quem tiver menos. Não há competição. Não há punição com a perda de título minimalista caso você vá ao shopping e compre uma blusa por impulso. Esqueça tudo isso, não se cobre. Estar atento e consciente à forma como você lida com o dinheiro e consumo é uma coisa. Estar preso em um rótulo no qual você se pune por ter saído das regras, é outra totalmente diferente. Faça suas regras, analise suas necessidades e sempre se pergunte “eu preciso MESMO disso?”. Assim vamos aprendendo a observar nosso consumo de dentro pra fora, jamais por uma pressão externa.

Preto e branco não significa nada!

Houve uma época em que eu notava que muitos adeptos ao estilo de vida minimalista estava trocando o guarda-roupas por peças em preto, branco e cinza com bolinhas, listras etc. Desapegue disso! Você pode SIM usar saias floridas, calças estampadas, peças alegres e cheias de babados. Seja você mesmo! Jamais mude seu estilo pessoal pra seguir uma tendência externa. Vida minimalista não é estilo minimalista. Você pode ter roupas em preto e branco, mas que estão jogadas no fundo do armário sem uso e continuar sendo consumista comprando mais e mais peças assim por serem no estilo minimalista. Mas você pode vestir peças alegres, estampadas, coloridas e ter um armário enxuto com roupas que você realmente ama e não ter a ansiedade de comprar mais e mais. Seja você!

Cuidado com o ego

Você não é melhor que o outro por ser minimalista/vegano/iogue/zen/cristão o que for. Quando nos rotulamos com algo e logo pensamos que estamos no topo e os outros estão abaixo, é sinal de que o ego está dominando sua mente. Seja o exemplo que você quer ver no mundo, mostre quanto sua vida melhorou depois que você adotou algumas medidas, mas sem apontar o dedo a ninguém. Se considerar minimalista com o ego esvoaçante não vai te ajudar em nada. Apontar o dedo aos outros e dizer que aquilo é ou não minimalismo (ou qualquer outro rótulo), também não. Seja uma pessoa legal. Estenda sua mão a quem está começando. Inspire outras pessoas. Explique com carinho o porquê da sua decisão, sem criticar quem ainda não conhece. Ganhar status – e mantê-lo – por causa de um rótulo não é liberdade, mas sim prisão.

Espero ter esclarecido alguns tópicos os quais percebo que são os que mais geram debates no grupo. Lembre-se sempre que seu estilo de vida é uma forma de autoconhecimento, de olhar para dentro e pensar o que você pode transformar internamente para ser uma pessoa melhor para si, para os outros e para o meio em que você vive. É olhar para seus hábitos e refletir se você está agindo de forma egoísta, pensando apenas em você e seus prazeres, ou se está agindo com responsabilidade.

Que possamos ser mais leves! Vamos compartilhar ideias sobre isso? Espero vocês aqui nos comentários. 🙂

imagem: Pixabay

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14 comentários leave one →

  1. Cláudia Vidal

    Quanta leveza em suas palavras.Gratidão!

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    • Obrigada pela presença aqui! Seja muito bem vinda. 🙂

      Responder
      • Bia

        Oi!
        Amei o texto e quero contribuir com um comentário.
        Veganos não se acham “melhores que os outros”. Pelo contrário.
        Exatamente por entenderem que a vida deles deve ser respeitada como a vida dos outros seres é que eles são veganos. Sabem que todas as vidas importam, que nenhuma é melhor ou mais importante que a outra.

        😉

        Beijão!

        Responder
        • Oi Bia, eu sou vegana (inclusive meu blog é sobre veganismo também). E entendo seu comentário. Mas no caso, no texto, falei sobre rótulos. De ao nos rotularmos, acharmos que somos melhores que outras pessoas que não agem como nós. Foi só um exemplo, em nenhum momento falei que veganos se acham melhores que os outros. Me acompanhe nas outras redes sociais, falo bastante sobre veganismo. 😉

          Beijos!

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        • Caio Borrillo

          Falta amor no mundo e falta também interpretação de texto.

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  2. Julia

    Acho que as pessoas andam confundindo minimalismo com armário cápsula.

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    • Sim, exatamente! Claro que tem uma associação, mas não uma obrigatoriedade. Cada um tem seu gosto e deve se vestir como quiser. 🙂

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  3. Conheço seu blog já há algum tempo, mas nunca tinha visto o grupo no facebook. Entrei hoje depois que vi o link nessa postagem, e a necessidade dessa postagem (que achei ótima!) se mostrou ainda mais forte pra mim. Quanta gente tendo o minimalismo como um fim (não necessariamente de forma consciente) :/
    É complicado, várias pessoas acabam tentando classificar uma “intensidade” de minimalismo, criar uma escalinha de “mais minimalista e menos minimalista”, ou “isso não é minimalista, é muito complicado”, sem considerar que cada pessoa é um mundo, uma realidade diferente – e que, enquanto pra si pode não servir, pra outras pode funcionar muito bem…

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  4. Geraldina gonçalves gonçalves dos santos

    Gostei.
    Já vinha exercitando o minimalismo sem saber o nome.

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  5. Camila Pupe

    A gente leva um tempinho pra entender esse tal de minimalismo mesmo e esse seu post vai ajudar muito quem quer entrar nessa onda.
    Mas quando a gente desapega dos rótulos e das regras fica tudo mais fácil e mais leve. Cada dia é um desafio de escolher o que realmente nos faz feliz. Não é uma vida de privações, mas sim de significados.
    Obrigada pelo post!

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  6. Vanessa

    São pessoas como você que o mundo precisa para mudar!
    Me sinto extremamente grata por esse estilo de vida, que traz paz, leveza e felicidade ao coração!
    Obrigada Camile, por este site lindo e cheio de carinho!

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  7. Cheguei a este post, graças a Gabi barbosa que publicou no grupo do armário capsula. Fico muito feliz em ler uma publicação assim! Um post rico e cheio de informações que esclarece muito. É realmente como eu me sinto em alguns aspectos. Isso daqui não é uma disputa de quem tem menos. É sobre se conhecer e entender suas necessidades e assim ter uma atitude positiva com o próximo e com o mundo. Adorei o post camile. ♥

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