Carta do Leitor

Depoimento: O outro lado da moda

por Camile Carvalho em 23/05/2014

Hoje estou trazendo o depoimento de Inês Pinto, que me enviou um email muito bacana contando como aplicou o minimalismo no seu dia-a-dia. Cansada da moda relacionada ao consumismo, a portuguesa também decidiu criar um blog para compartilhar suas descobertas e reflexões. Vamos conhecer um pouquinho da sua história?

O meu nome é Inês Catarina Pinto e decidi que estava na altura de mostrar um lado diferente do mundo da moda e do consumo. Um lado menos conhecido e mais profundo em que a compra de determinada peça de roupa pode significar mais do que apenas o gasto de determinado dinheiro.

Tudo isto começou quando comecei a sentir que a moda estava praticamente só ligada ao consumo. Raramente lia uma revista ou um blogue de moda sem haver uma clara associação ao preço e ao local onde podíamos adquirir tais itens. Eu, uma pessoa que pode assumidamente dizer que gosta de moda, comecei a deixar de me identificar com certos valores do mundo da moda. Discordava da ideia de que ter um estilo melhor estava ligado a termos mais roupa e que o consumo era essencial para nos sentirmos mais novos, bonitos ou perfeitos. Assim, deixei de comprar certas revistas e de seguir certos blogues. O que eu queria não era ler uma ode ao consumismo, eu queria saber mais sobre o local de onde veio uma determinada peça de roupa, sobre como podia ter um estilo mais cuidado sem ter de ir às compras todos os dias, e sobre como podia ser minimalista sem ter de usar sempre umas calças de ganga e uma t’shirt branca. Mas, tudo o que eu lia por aí eram artigos sobre quais as roupas que tínhamos de comprar esta estação para nos sentirmos mais bonitas, elegantes, profissionais, sofisticadas.

A minha solução foi aplicar o conceito de minimalismo à forma como eu encarava a moda. Contudo, apesar de adorar o conceito de minimalismo não queria abraçar esta filosofia de vida de forma radical. Não queria defender que devemos ter apenas 100 objetos para sermos felizes, nem que devemos comprar apenas roupa em segunda mão, nem que o minimalismo é a salvação para todos os males do mundo.

O que eu desejava mesmo era mostrar que ao conhecermos melhor como funciona o mundo da moda que podemos tomar melhores decisões, sejam elas a de comprar roupa apenas na Zara ou a de não comprar roupa de todo.

Este meu desejo levou-me a criar o blogue Minimal (http://mmminimal.blogspot.pt/) um espaço onde poderia falar sobre o modo de vida minimalista, o estilo minimal e o consumismo ético. Pelo caminho espero conseguir mostrar um lado diferente do mundo da moda, um lado mais humano e inspirador e menos materialista e consumista.

***

E você? O que pensa da moda consumista que tanto vemos em revistas e blogs? 

Se você quer participar, envie sua história para contato@vidaminimalista.com. Se desejar, não publicarei seu nome verdadeiro.


2 comentários leave one →

  1. Tatiana Saito

    Camile, me identifiquei totalmente com essa carta!

    Nunca fui uma pessoa ligada a moda, mas sempre achei que deveria me vestir bem e sempre ter roupas “inéditas” no guarda-roupas. Comprava roupas que eu achava bonita mas que acabava nunca usando, porque não faziam meu estilo.

    Hoje compro somente roupas que eu esteja precisando mesmo.

    Fico muito decepcionada quando vejo notícias sobre lojas que usam mão-de-obra escrava, e leio blogs de moda que falam sobre roupas dessas lojas como se nada tivesse acontecido.

    As pessoas selecionam o que querem ver… Isso é muito triste.

    Conheci seu blog hoje, vou devorá-lo!

    Grata!

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  2. Adriana Mendonça

    Há alguns anos adotei um modo minimalista de viver. Não fico presa as regras mas resolvi ter somente o que for necessário.
    Nesse meio tempo, lá se foram utensílios, roupas, objetos, tudo o que não é necessário para mim. E também penso muito sobre o que vou levar para casa, afinal não adianta nada descartar uma porção de coisas se outras novas entrarem.
    Penso que devemos ter tudo o que usamos e o que nos faz feliz. Então não adianta ter um armário cheio de roupas ou objetos, se eles nunca são usados, sejam porque não nos servem ou porque simplesmente não gostamos deles. Também adotei o mesmo critério para presentes, lembranças que me foram dadas e que não têm a menor serventia para mim.
    Comecei aos poucos e fui descobrindo o prazer de viver uma vida mais leve. E isso vale para outras áreas da minha vida também. Amizades, compromissos sem fim. Costumo dizer que assinei a minha carta de alforria e hj apenas vou aos lugares que realmente quero ir, participo de compromissos que realmente me fazem feliz.
    E descartando tudo aquilo que não me interessa, achei um estilo mais simples de viver. Eu recomendo a todos.

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