Carta do Leitor

Depoimento: Me tornei minimalista, não avarento

por Camile Carvalho em 09/10/2013

Hoje temos mais um relato para a coluna Depoimentos. Apresento a vocês o economista baiano Rafael Bertoldo, que entrou em contato comigo enviando sua experiência ao adotar para si uma vida mais simples e minimalista, que apesar de lhe render ótimos resultados, não foi tão bem aceito entre sua família e amigos. Vamos conhecer um pouco sua história?

Venho trazer meu relato, uma experiência que estou a viver.

Bom… sempre fui uma pessoa com traços minimalistas, mesmo muito antes de me descobrir, creio que sou simples por natureza. Sempre fui econômico em meus gastos, reservado, optante pelo simples, necessário e elementar.

Fiquei muito, mas muito identificado quando iniciei, por curiosidade (através de um texto na Internet sobre simplicidade) a pesquisa sobre vida minimalista e simplicidade voluntária. E me descobri nessa nova perspectiva.

Porém, há algumas semanas passei por experiências desagradáveis. Minha companheira não é nada minimalista e alguns amigos próximos também não. Com as práticas que venho adotando ultimamente, tenho recebido uma acusação incomoda, a de avarento. Esse pecado capital para os consumistas, no mundo em que vivemos é excludente, infelizmente.

Adotei métodos muito simples para seguir minha simplicidade voluntária, tais como: doei roupas que não me serviam mais, sapatos, livros e revistas seguiram para a biblioteca da minha cidade, outras roupas que achei mais conveniente as troquei num brechó. Estou destralhando meus ambientes de vivência paulatinamente e reorganizando minhas prioridades. Não olho vitrines, publicidade ou propagandas só por conta do preço ou moda, mas se estiver apenas à precisar. Essas e outras práticas foram entendidas por minha companheira e alguns amigos como uma espécie de agravo da avareza que já tinha, segundo eles, por ser econômico e gastar apenas com o necessário.

Já tentei explicar sobre a mudança que estou implementando em minha vida, porém tive discreto sucesso, eles não simpatizaram com o minimalismo. Normal, não cobro deles que tenham a mesma postura que eu, mas quero que respeitem e convivam com os contrários. Não estou tendo aceitação harmoniosa no convívio com meus amigos e companheira. A questão é: não quero parecer sovina, mas pretendo seguir com minhas práticas minimalistas, estou muito melhor como indivíduo por minha conduta convergir suavemente para uma vida simples e feliz. Queria compartilhar com vocês essa experiência. Obrigado a todos, se puderem colaborar.

Rafael Bertoldo, Economista, Servidor Público. Baiano, 26 anos.

 

Se você também quer participar do Depoimentos, envie um email para contato@vidaminimalista.com contando sua história. Caso deseje, não publicaremos seu nome verdadeiro.


13 comentários leave one →

  1. Buscando um caminho

    Rafael, super me identifiquei com seu relato. Assim como você, eu tb sempre tive uma natureza simples e pouco consumista. Para mim sempre pareceu irracional a atitude de algumas amigas e inclusive da minha irmã, que na época universitária, ainda com um salário medíocre, se endividavam completamente para comprar um carro. Eu não via problema algum em continuar andando de ônibus (coisa que faço até hj com 30 anos) e manter minha sanidade financeira e mental.
    Por conta desse comportamento comedido ganhei fama de mão de vaca na minha família e agora também na família do meu marido. Sinto que meus sogros não gostam muito quando eu incentivo meu marido a trocar o carro atual por um modelo mais simples e econômico. Para eles isso seria um retrocesso no status que meu marido já alcançou (???).
    Só pra finalizar o tamanho da identificação, tb sou baiana, porém moro há alguns anos em SP. Abs

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    • Anônimo

      Pois é colega…
      Infelizmente temos que, muitas vezes, caminhar parece que na “contra-mão”. Quando falei de trocar roupas em brechó, doar e etc…alguns amigos gargalharam, e me falaram: “porque você não compra coisa nova rapaz, decente…” fiquei consternado com essa situação e me senti “sovina”, mesmo tentando explicar o que pra eles é inexplicável. Em resumo é difícil não ser como todo, ser diferente soa como ridículo…

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  2. Edvaldo

    Rafael, não esquenta, bem vindo ao clube!

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  3. Bruna

    Minha maior “dificuldade” é o fato de as pessoas próximas a mim não acreditarem. Minha mãe sempre traz roupas pra mim sendo que eu ja falei pra ela que não quero comprar e nem ganhar! Muita gente não anda colocando fé nesse meu projeto de uma vida leve, simples e com poucas coisas. Mas essa falta de fé das pessoas que vai me fazer ser mais forte ainda pra mostrar que sim, sou capaz de ficar um ano sem comprar!

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    • Camile Carvalho

      Acredite, isso também acontece comigo 🙂

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  4. Renata

    Rafael, também sou da Bahia e estou com o mesmo problema que você. Meu marido,além de bagunceiro, gosta de acumular coisas, como um chaveiro quebrado que fulano deu há anos (e com certeza nem lembra mais), livros que já leu mas não abre mão e por aí vai. Tô tentando seguir o estilo de vida minimalista e não pretendo desistir, mas é extremamente complicado quando a pessoa com quem convivemos não partilha da mesma ideia.

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    • Rafael

      É verdade, é bem complicado. Convivo com minha mãe, uma senhora de 63 anos, e tem naturalmente o costume de guardar tudo, por achar que em algum momento pode precisar. Mas é um exercício de tolerância e paciência muito positivo esse convívio com os contrários. Me mantenho firme em minha filosofia, ela respeita meu espaço e eu o dela e convivemos harmoniosamente. Claro que é sempre eu que cedo um pouco mais…

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  5. Heder Duarte

    Gostei da matéria, esses relatos dão uma noção maior de como as pessoas reagem ao minimalismo. O Rafael soube relatar a sua situação de uma forma bem objetiva e prática, até na descrição de seu estilo de vida ele foi minimalista.

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    • Camile Carvalho

      Também gostei muito do relato do Rafael e convido a todos para enviarem os seus! 🙂

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  6. Julia Lessa

    Nossa, quanto minimalista na Bahia! Moro em Salvador e as vezes acabo sendo induzida a fazer gastos, que em uma outra situação nao faria, para socializar com muitos dos meus amigos. Minha mãe acha que estou querendo dar tudo que tenho e meu pai acha que precisa rechear os espaços vazios da minha casa. Tenho que controlar minha criticas, porque a maioria das pessoas que conheço sao acumuladoras, e a vontade que tenho é que todos destralhem e tenham uma vida simples.

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    • Lu

      Júlia, estou no mesmo barco que vc! Fico irritada vendo as pessoas vivendo no caos da acumulação! Tenho que me controlar um monte para não sair filosofando por aí e me sinto uma ponto de interrogação por não entender pq as pessoas têm perdido a vida trabalhando loucamente exclusivamente pra acumular mais bens materiais e demonstrar aos demais suas novas aquisições, numa espécie de competição bizarra.

      E Rafael, super entendo o que vc está sentindo! Passo muitas vezes pelo mesmo que vc, viro motivo de piada, de chacota. Mas acho que vc tem que se manter firme em seu propósito e, quem realmente gostar de vc, irá aos poucos lhe compreender. Só não tente doutriná-los! Essa é nossa maior prova de desprendimento. Seguir nossa vida com nossos princípios e deixar os outros no seguirem só se quiserem, e por nossos exemplos e atitudes. Por palavras, eu já aprendi na prática, que não funciona!

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  7. marco aurelio

    entrei para o clube da simplicidade a algum tempo.estou tendo problemas só com a alimentação.acho que compro mais do que preciso.de resto,depois que li o livro de duane elgin e muitos relatos no mochileiros.com,tornei me uma pessoa melhor.sou da bahia e gostaria de saber se existem grupos físicos e virtuais para compartilharmos vivencias.adorei este site aqui

    marco aurelio,40 ,professor,catu/bahia

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