09/09/2014

Organizando a vida

Categoria: Casa

Organizando a vida

É sempre assim: percebemos que estamos desorganizados, então pegamos papel e caneta, escrevemos listas, catamos os papeis espalhados pela mesa e jogamos o lixo fora. Planejamos meia dúzia de tarefas pendentes e pronto, tudo parece mais claro e organizado. Mas será que essas ações realmente mudaram nossas vidas ou apenas agiu de forma superficial e temporária?

Tenho passado por algumas mudanças. A impressão é que entrei em um redemoinho e que tudo o que estava ali, firme, começou a voar sobre minha cabeça desestruturando tudo o que eu achava que estava fixo. E isso é, diga-se de passagem, extremamente bom, pois eu realmente adoro mudanças.

No entanto, tais mudanças me fizeram perceber o quanto eu estava desorganizada. Precisando de alguns documentos, recorri às pastas nas quais continham desde o diploma de Medicina Veterinária até boletos pagos de cursos avulsos. Uma bagunça. No meio de tudo, tive a surpresa de encontrar minha certidão de nascimento, a qual sabia que estava por ali, em algum canto obscuro da tal pasta amarela. Foi o ponto crítico para decidir por uma mudança mais séria: organizar minha vida de uma forma mais profunda.

Chega de empilhar papeis sobre a mesa. De passar um paninho na prateleira dos livros. De colocar meus brincos e pulseiras nas caixinhas. O que preciso agora é organizar cada item que faz parte de quem sou. Cada papel. Cada certificado. Cada diploma. Preciso começar do zero, organizar meus documentos, certidões, carteira de trabalho, título de eleitor. Não apenas deixá-los em uma pasta jogada no fundo do armário.

Muitas vezes organizamos o que está sob nossa visão. O que está aparente, sobre as superfícies dos nossos quartos, sala, cozinha e esquecemos daquilo tudo que juntamos sem critério e entulhamos em um único canto, longe do nosso campo. Está na hora de revolver aquelas energias estagnadas, aquela bagunça que deixamos pra arrumar depois-um-dia-quem-sabe. Pra quando tivermos paciência. Mas a verdade é que nada ficará realmente organizado se não começamos pelo caos mais profundo.

Vamos deixar um pouco a superfície de lado e atacar de uma vez aquela bagunça que sempre deixamos pra depois? Afinal, de nada adianta continuarmos passando pano na mesa se por baixo do tapete a situação está crítica.

{imagem: we heart it}

03/09/2014

Simplesmente desacelere

Categoria: Bem-Estar

Simplesmente desacelere

É certo que sempre temos aquele momento da vida em que tudo parece confuso, no qual temos que tomar algumas decisões importantes e que um passo errado pode colocar tudo a perder.

Quando estou vivenciando esse tipo de momento, costumo pisar no freio e simplesmente desacelerar. Apesar de ter um comportamento um tanto impulsivo, estou aprendendo bastante como refletir, pensar duas, três, dez vezes antes de tomar uma decisão, e foi o que fiz na última semana.

Com alguns problemas na minha faculdade e com a possibilidade de transferir para outra, pensei e repensei nos prós e contras da mudança e pra isso resolvi passar um fim de semana desconectada, apenas aproveitando a natureza. E quando falo desconectada, é realmente com o celular “sem serviço“, o que é raro no meu cotidiano.

Não era apenas uma simples decisão de mudar de universidade, mas sim tudo que estava atrelado ao meu antigo curso, meus planos, horários e compromissos. Me dei conta de que estava vivendo um momento um tanto obscuro, no qual não sabia mais para qual direção estava caminhando e precisava de um pouco de tranquilidade para repensar meus planos e voltar para meu caminho.

Após tomar a decisão de mudar e voltar ao “mundo real“, tudo pareceu fluir naturalmente. O que antes pareciam pequenos obstáculos, foram resolvendo aos poucos. O que antes parecia obscuro, se iluminou, e assim pude enxergar mais adiante, abandonando velhos planos que já não estavam mais em sintonia, abrindo espaço para novas ideias.

Quando se sentirem desmotivados, cansados e sem perspectiva, apenas desacelerem. Peguem a estrada, caminhem pela rua ou sentem na areia da praia e observem o mar. Esvaziar a mente pode parecer algo sem importância, mas apenas conseguimos refletir sobre nossas vidas quando silenciamos todos os ruídos, tanto externos, quanto os que nossa própria mente produz.

E vocês, o que costumam fazer quando a mente parece transbordar de pensamentos confusos?

22/08/2014

Como a mídia afeta as mulheres

Categoria: Comportamento

Como a mídia afeta as mulheres

Esse vídeo está circulando pelo Facebook e quando o assisti, pensei em compartilhar aqui no blog para que outras pessoas também possam vê-lo. Vale a pena refletir sobre a que tipo de prisões estamos submetidos, principalmente mulheres (sem, porém, excluir homens que também estão sujeitos a imposições da sociedade). Para quem não puder assistir ao vídeo, fiz a transcrição para que possam acompanhar a palestra:

Como a mídia afeta as mulheres (matando-nos aos poucos)

As vezes as pessoas me falam: “você tem falado sobre isso há 40 anos. As coisas melhoraram?” E infelizmente tenho a dizer é que as coisas pioraram.

Anúncios vendem mais que produtos: eles vendem valores, imagens… vendem conceito de amor e sexualidade, de sucesso e, talvez o mais importante, conceitos de “normalidade”. Consequentemente, eles nos dizem quem somos e quem devemos ser.

Bom, e o que os anúncios nos dizem sobre as mulheres? Eles dizem, como sempre disseram, que o mais importante é como somos vistos. A primeira coisa que os anunciantes fazem é nos cercar com uma imagem da beleza feminina ideal.

As mulheres aprendem desde pequenas que devem gastar uma quantidade enorme de tempo, energia, e acima de tudo dinheiro, esforçando-se para alcançar esta imagem e sentem vergonha e culpa quando falham. E a falha é inevitável, pois o ideal é baseado na absoluta impecabilidade. Ela nunca teve linhas faciais ou rugas, certamente não há cicatrizes ou manchas. De fato, ela não tem poros. E o aspecto mais importante é que esta impecabilidade é impossível de se alcançar. Ninguém é assim, inclusive ela. E esta é a verdade, ninguém é assim.

Como a mídia afeta as mulheres

Cindy Crawford sem e com maquiagem ^

A supermodelo Cindy Crawford disse uma vez: “eu gostaria de parecer a Cindy Crawford”. Ela não é nem poderia ser, pois esta é uma imagem criada durante anos de maquiagens e cosméticos, que hoje são facilmente feitos por retoque digital. Keira Knightley recebe um busto maior. Jessica Alba feita menor. Kelly Clarkson… bem, esta é interessante, pois diz “emagreça do seu jeito” mas ela de fato emagreceu via Photoshop.

Como a mídia afeta as mulheres

Kelly Clarkson sem e com Photoshop ^

Você praticamente nunca viu a foto de uma mulher considerada bonita que não tenha sido retocada digitalmente. Todos nós crescemos em uma cultura onde o corpo das mulheres são constantemente transformados em objetos. Aqui ela se torna uma garrafa de cerveja, aqui se torna parte de um videogame e está em todo lugar, em todo tipo de anúncios, o corpo da mulher é transformado em coisas, em objetos. Agora, é claro que isso afeta a autoestima feminina. Isso também faz algo mais insidioso: cria um clima em que se difunde a violência contra a mulher.

Não estou dizendo que um anúncio como este causa diretamente a violência, não é tão simples. Mas tornar um ser humano em um objeto é quase sempre o primeiro passo que se dá para justificar a violência contra ele. Vemos isto com racismo, vemos isto na homofobia, vemos isso com o terrorismo. É sempre o mesmo processo, a pessoa é desumanizada e então a violência se torna inevitável. E este passo já foi e é constantemente dado com a mulher. O corpo da mulher é desmembrado em anúncios, cortado em pedaços, apenas uma parte do corpo é focada, que obviamente é a coisa mais desumanizante que se pode fazer a alguém.

Em todos os lugares, vemos o corpo da mulher transformado em coisas, e muitas vezes, apenas parte de alguma coisa. E as garotas hoje estão captando esta mensagem tão jovens… que elas precisam ser impossivelmente lindas, quentes, sexy e extremamente magras, e também captam a mensagem que vão falhar, que não há meios para se atingir isso. As garotas costumam se sentir bem aos oito, nove, dez anos, mas quando chegam a adolescência, é como se atingissem uma parede. E certamente, parte desta parede se dá por essa ênfase à perfeição física.

Agora veja, nós temos epidêmicas disfunções alimentares em nosso país e também ao redor do mundo. Eu venho falando sobre isso há algum tempo e penso que as modelos não podem ficar mais magras, mas elas ficam cada vez mais e mais magras. Ana Carolina Reston morreu há um ano de anorexia pesando cerca de 40 quilos. E na época ela ainda desfilava. Então, as modelos realmente não podem ficar mais magras. E aí o Photoshop veio ao resgate.

Entretanto, existem exceções. Kate Winslet fez uma declaração sobre a recusa em permitir que Hollywood ditasse o seu peso. Quando a revista GQ publicou uma fotografia de Winslet, que foi retocada para fazê-la parecer drasticamente mais magra, ela afirmou que a alteração foi feita sem o seu consentimento. E ela disse: Eu não sou assim e, mais importante, eu não quero parecer assim. Posso dizer que eles reduziram o tamanho de minhas pernas por 1/3.

Então, o que podemos fazer sobre tudo isso? Bem, o primeiro passo é ficarmos em alerta e prestarmos atenção e reconhecer que isso afeta a todos nós. Estamos falando de problemas na saúde pública. A obsessão por magreza é um problema de saúde pública. A tirania de uma imagem ideal de beleza, a violência contra a mulher, são todos problemas de saúde pública que afetam a todos nós. E estes problemas apenas podem ser resolvidos transformando o ambiente.

- Jean Kilbourne