O que te incomoda?

25/04/2015

O que te incomoda? Vida Minimalista #vidaminimalista

Vivemos preocupados com nossa imagem pessoal. Se colocar determinada roupa, pensarão mal de mim. Se eu agir de determinada maneira, não serei bem visto pelos meus colegas de trabalho. Se eu investir naquele sonho que está na gaveta há anos, falarão de mim por trás. Mas será que a opinião alheia deve ter tanto peso assim em nossas decisões?

É verdade que nossa aparência, o modo como nos comportamos em público e alguns projetos pessoais podem chamar a atenção alheia se não nos encaixarmos num padrão pré-determinado pela sociedade. Mas até que ponto devemos continuar agindo como animais adestrados a seguirem um fluxo? Será que a atenção dos outros realmente cai sobre nós diariamente ou muitos dos nossos medos de sermos julgados não é apenas medo do desconhecido?

Nossas vidas andam tão corridas que praticamente não prestamos atenção no outro. Estamos constantemente preocupados com as opiniões alheias, sobre o que vão pensar de nós que acabamos nos transformando em uma sociedade preocupada não com nós mesmos, mas sempre com a possibilidade de sermos vítimas de julgamentos.

Mas então me pergunto, que diferença fará a opinião de estranhos ou até mesmo conhecidos sobre a roupa que vestimos, um livro que pensamos em escrever mesmo sem nunca ter tentado ou até mesmo de termos opiniões diferentes do comum? Exceto algumas situações em que dependamos de uma outra pessoa, que diferença faz se alguém ri, cutuca o outro ao passarmos ou pensa que não conseguiremos atingir determinado objetivo?

Nenhuma diferença.

Temos tanto a aprender, a evoluir e acredito que viver a vida do outro enquanto a nossa passa pela janela não é uma escolha inteligente. Se você hoje tem receio de ser você mesmo ou de ir atrás de um sonho, apenas pare e seja você. Corra atrás. Invista em seus objetivos, em seu caminho, afinal, a sua história não pertence a mais ninguém a não ser você mesmo. Agora, se você é daqueles que se preocupam demais com a roupa do colega, da forma como alguém vê a vida ou com os sonhos “impossíveis” dos outros, não estaria na hora de começar a construir sua própria história de vida? Nunca é tarde para mudanças, até porque no final, nada disso importará a não ser o que construímos ao longo de nossa jornada.

Nunca tenha medo de ser você. Aprenda a amar a si próprio, afinal, suas diferenças é o que constrói sua personalidade.

Você é único e importante.

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O que aprendi aos meus 30 anos

19/04/2015

livro-rede

No último ano passei por uma série de transformações pessoais e espirituais. Vivenciei perdas, ganhos, mudanças e pude aprender muito com todas das experiências que vivi. Se por um lado aprendi a desapegar, por outro aprendi a persistir um pouco mais naquilo que eu achava ser fundamental.

Quando me afastei do Vida Minimalista, pensei que, por eu ter mudado tanto meus pensamentos, minhas novas ideias não caberiam mais aqui e deveriam migrar para um novo espaço renovado, sem rótulos e sem compactuar com algumas ideias um tanto radicais sobre este “estilo de vida”, digamos assim, que está cada vez mais conhecido. Não estava me sentindo mais à vontade, nem que aqui era meu lar, meu cantinho único na internet onde eu pudesse compartilhar meus aprendizados e transformações pessoais.

Me dei um tempo. Testei, mudei, desapeguei e não tive medo de arriscar algo novo, nem de desistir. Acho que cada um de nós deve sempre buscar harmonia naquilo que faz, buscar um caminho em que as energias fluam com mais facilidade e não persistir em algo que não esteja nos fazendo bem. Se há algo nos desnorteando, pode ser um sinal de que devemos parar, refletir e buscar uma forma de fazer aquilo de outro jeito ou de simplesmente desapegar.

Ontem, dia 18 de abril completei mais um ciclo de vida. Nos dias anteriores ao meu aniversário pude sentir um certo conflito interno sobre alguns caminhos que estava percorrendo, incluindo o destino do Vida Minimalista. Não quis arriscar muito e acabei fazendo pequenos testes, mas sem comprometimento. Não era o momento de decidir nada. No entanto, ontem, antes de dormir, refleti sobre algumas coisas que aprendi durante meus 30 anos e vou compartilhar com vocês.

1 – Todos que cruzam nossos caminhos têm um propósito

Não importa se a pessoa te fez muito bem ou se destruiu uma parte de você. Todos vêm a nós com algum propósito e sempre aprendemos algo por pior que seja a situação. Crescemos a cada dia, e é nas dificuldades que crescemos mais. Toda transformação tem nela um certo desapego para que o novo possa entrar em nossas vidas, portanto, não se culpe por permitir-se vivenciar alguma situação ruim. Se você conheceu alguém que te fez mal, você provavelmente sofrerá uma transformação – benéfica – após tal experiência. Somos todos interligados.

2 – Não devemos ter medo de mudanças

Nem das mudanças nem de desistir quando for preciso. Nosso ego é muito apegado ao que fazemos, ao nome que temos, à nossa reputação e diversos outros fatores. Nos apegamos a pessoas, títulos, atividades como se isso nos definisse, mas a verdade é que somos algo muito maior. Mudar nos causa medo pois estamos caminhando para algo desconhecido e isso é normal.

Tememos não saber exatamente o que irá acontecer e não devemos nos culpar por isso. Também tememos quando precisamos desistir de algo por não saber se teremos a oportunidade de voltarmos ao mesmo ponto se um dia resolvermos voltar atrás. Mas não existe o “mesmo ponto”. Nunca voltamos a ser como éramos antes, por mais que tentemos. Descobri que não existe voltar atrás, mas sim, renovar aquilo que desapegamos, sempre com um olhar diferente e até mais maduro, afinal, como canta Lulu Santos, “nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia“. Nenhum rio passa duas vezes no mesmo lugar.

3 – Quando nos desconectamos de algo, devemos respeitar nosso tempo

É melhor feito do que perfeito, mas também podemos dizer que em algumas situações é melhor deixarmos algo de lado por um tempo para que as ideias possam amadurecer.

Por muitas vezes trabalhamos incessantemente em algum projeto e nada parece dar certo, mas basta nos afastarmos do nosso objeto que novas ideias surgem. Isso pode ser aplicado em vários aspectos de nossas vidas. Quando estamos no meio do furacão não conseguimos ter uma visão total de todos os acontecimentos, mas quando nos afastamos dele, conseguimos analisar melhor a situação e tomar decisões mais adequadas. Se você está no meio de um furacão, dê um passo atrás e apenas o observe. Não importa quanto tempo leve, apenas dê um tempo, se precisar faça outras atividades e deixe o problema ali, em stand-by. Muitas vezes só no afastar já conseguimos ter uma ideia de como prosseguir.

4 – Ter conforto não significa não ter consciência ambiental

Muitos passam a mensagem de que se deve largar tudo, morar no meio do mato e que viver viajando o mundo é o que traz a felicidade. Mas será que podemos generalizar? Será que apenas aquelas pessoas que abandonam tudo, largam seus empregos e vivem uma grande aventura contribuem para um mundo melhor e são felizes?

Para alguns isso pode ser um sonho, mas para outros pode ser um grande pesadelo. Ninguém pensa igual a ninguém e não devemos ver a vida do jeito “oito ou oitenta”. Se para uns, vender o apartamento e pedir demissão é sinônimo de liberdade, para outros, ter uma estabilidade – mesmo que isso signifique trabalhar 8 horas por dia em um emprego formal – pode ser uma meta a ser alcançada. Também não é porque alguém tem um carro e se veste bem que não tenha uma consciência ambiental e não queira mudar o mundo.

Vivemos baseados em alguns estereótipos, mas devemos aceitar que não há apenas extremidades, mas uma gama de possibilidades entre elas. Como muitos dizem, não adianta fazer yoga e não cumprimentar o porteiro. Também posso acrescentar que não adianta pregar alguma religião, virar vegano ou vivermos de uma forma mais simples se não buscamos a transformação em nós mesmos e colocarmos em prática aquilo que dizemos ser. Pouco importa o estereótipo, o que vale mesmo são nossas ações e pensamentos corretos.

5 – O minimalismo externo é uma forma de chegarmos a nossas camadas internas

Quantas roupas preciso ter para entrar para o time dos minimalistas? A resposta? Quantas você julgar necessárias. O minimalismo se tornou hoje um sinônimo de ter poucas roupas (alguns até estipulam um número), ter poucos objetos sobre a mesa e fotografar aquele quarto branco, clean, sem quase nada ocupando o espaço. Mas afinal, qual o propósito disso tudo? O que fazer quando chegamos a esse estado exterior?

Desapegar de objetos, roupas e papelada é um processo que exige muito do nosso emocional. Somos muito apegados à matéria e acreditamos que é isso que nos define. Porém, ao realizarmos o processo de destralhamento (declutter) estamos removendo a poeira que nos impede de conhecermos a nós mesmos. O processo é importante, não o fim. À medida em que trabalhamos emocionalmente com cada objeto a ser descartado ou doado, estamos trabalhando níveis sutis do nosso subconsciente.

De nada adianta doarmos metade de nossos pertences e alcançarmos uma meta quantitativa se continuamos apegados, mesquinhos e egoístas. No entanto, é muito mais fácil trabalharmos tais comportamentos e pensamentos durante o processo do desapego físico. Enfim, desapegar de objetos físicos, ou seja, externamente, é uma forma de chegarmos às nossas camadas mais internas, fazendo um processo de autoconhecimento.

Espero que meus aprendizados possam servir de um pontapé inicial a vocês, que também buscam uma transformação pessoal. Vale lembrar que não há uma única verdade, todas as experiências que passamos nos servem de aprendizado, e que não temos certezas definitivas. Compartilhar experiências pode nos ajudar, e muito, a descobrirmos nosso próprio caminho.

Agora quero saber de vocês, o que aprenderam ultimamente? O que vocês gostariam de passar adiante? Compartilhem nos comentários!

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Pelo direito de gostarmos (ou não) de algo

17/03/2015

mais-respeito

Ultimamente tenho notado um crescente incômodo das pessoas em relação à opinião e gosto alheio. Não precisa ir muito longe. Constantemente me deparo com algum debate acalorado pela internet quando alguém cita que não gostou de 50 tons de cinza, por exemplo. E então surgem dezenas de internautas para apedrejar quem deu a opinião e defender a qualidade da obra, algumas vezes até passando do limite do debate saudável sobre o tema extrapolando para a agressividade direcionada a quem teve uma opinião divergente. Ódio gratuito.

Estamos vivendo uma cultura na qual o nosso ego sempre fala mais alto. Temos a mania de achar que nossa opinião, nossos gostos e modo de viver é o mais correto e o outro está sempre errado. O outro não pode ter sua própria opinião, não pode pensar diferente, pois isso só demonstra o quanto ele não é tão inteligente como eu. Não é tão perspicaz como eu. E continuamos ecoando eternamente o eu, eu e eu…

Também vivemos em uma cultura na qual temos que ter um argumento plausível para tudo. Se não gostamos de algo e não temos um fundamento para esse “não-gostar” caso nos deparemos com alguém de opinião oposta, somos massacrados por frases intelectuais e sufocados por argumentos que provam por A mais B que estamos errados por não termos gostado de algo que todos estão gostando. E aí que me questiono, o que é gostar de algo?

Eu não preciso refletir e fazer um artigo científico com argumentos válidos sobre os motivos de ter simplesmente me identificado com um filme, livro ou artista. Gostar de algo ou alguém vai muito além de um simples argumento racional. Um filme pode ser considerado fraco pela crítica e ter se tornado o meu favorito do ano. Uma cantora pode ser desafinada, mas por seu carisma, ter conquistado alguns fãs. O que não podemos é querer julgar e convencer do contrário quando alguém gosta ou desgosta de algo.

Trocar ideias sobre um assunto que causa opiniões diferentes é saudável. Às vezes não nos identificamos com algo por simplesmente desconhecer algum fato interessante. E então quando temos mais informações, podemos passar a admirar o que antes não nos causava identificação. O mesmo pode ocorrer de forma contrária, de gostarmos de algo e ao sabermos de mais detalhes, passarmos a não gostar tanto como antes. E isso é normal. Essa troca de informações é saudável, pois é uma forma de adquirirmos conhecimento e sabermos um pouco da visão do outro sobre um objeto. No entanto, impôr nossa opinião ao outro e subjugarmos a quem tem gosto diferente já é um grande sinal de que nosso ego está saindo um pouco do controle.

Por um mundo com menos agressividade e com mais respeito à opinião alheia. Ninguém é obrigado a gostar do mesmo que nós. Nem do filme, nem do livro, na política ou no estilo de vida. Por um mundo com menos pessoas tentando nos convencer de que suas escolhas são as melhores e as nossas, as piores. Por um mundo no qual possamos ser livres para gostarmos de coisas consideradas ruins e não gostarmos de coisas consideradas boas. Porque na maioria das vezes é apenas uma opinião. E a nossa subjetividade, nossas opiniões diferentes, é o que constrói nossa identidade. É o que nos faz sermos quem somos.

Por um mundo com menos ódio e mais respeito.

Vamos minimalizar nossa agressividade? ❤