Um debate sobre vida minimalista

22/04/2016 • Minimalismo

Um debate sobre vida minimalista | Vida Minimalista #vidaminimalista

A onda do minimalismo está aí. Podemos perceber pela internet o crescimento de blogs, perfis no Instagram e vídeos sobre o assunto. Quem nunca viu fotos em preto e branco e armários-cápsula padronizados, sem cores? Mas será que pra ser minimalista precisa mesmo seguir esses padrões estéticos? E se eu gostar de cores? Não poderei me considerar minimalista?

Há alguns pontos importantes de se elucidar. Nesta última semana, pipocaram posts em blogs falando sobre armário-cápsula, minimalismo e a padronização de fotografias, e uma reflexão se isso estaria tirando a identidade da pessoa, e há alguns pontos que achei legal trazer aqui pro blog pra debatermos. Vamos lá?

1 | Estilo de vida minimalista não é o mesmo que estética minimalista

Este é um ponto-chave para começarmos a nos entender. Optar por uma vida minimalista significa deixar de lado aquilo que não combina com você e se dedicar àquilo que te faz bem. Se seu armário não traduz sua personalidade pelo fato de você ter passado anos comprando por impulso, é bom sim fazer um declutter para tentar se encontrar em meio ao caos. Isso significa que talvez você não seja uma pessoa de listras preto-e-branca e que doe todas as suas roupas neste estilo.

Você pode ser colorida, floral, de bolinhas roxas e amarelas e está tudo ok! O importante é você se olhar no espelho e ficar feliz, em paz com quem você é. Minimalismo não é usar preto e branco se você continua no consumismo desenfreado com a finalidade de montar um guarda-roupa assim. Mas, se este é seu estilo, tudo bem também! A Jess, do blog Caos Criativo, por exemplo, se encontrou no preto e branco e é feliz da vida!

O mesmo podemos dizer para a decoração da casa. Ter móveis monocromáticos pode ser lindo para alguns e frio demais para outros. Uma vida minimalista te faz olhar ao seu redor e desapegar de tralhas, coisinhas e objetos que não têm nada a ver com sua personalidade. Se você AMA sua casa florida, colorida e móveis rústicos de madeira, ótimo! Afinal, vida minimalista não tem a ver com estética minimalista, embora possam se encontrar em alguns casos. Mas não há regras.

2 | Encontre sua personalidade

Sempre bati na mesma tecla aqui no blog: busque se conhecer. Elimine o que não faz parte de sua vida, sua história e o que te faz mal. Tente ouvir sua voz interior, saber do que você realmente gosta. Liberte-se das amarras, de memórias ruins do passado, de pessoas que te sugam, de objetos que não traduzem sua essência. Use o minimalismo para chegar ao essencial, jamais menos do que você precisa. Comece devagar, aos poucos, e a cada passo aprenda. Minimalismo não é uma finalidade, mas um caminho (longo) de autoconhecimento.

3 | Minimalismo – menos consumismo

Como falei no item 1, de nada adianta decidir “se tornar minimalista” se o seu próximo passo é se jogar num shopping para mudar todo o seu guarda-roupa. Pare e reflita o que você pode aproveitar e o que você pode passar adiante. E lembre-se sempre, as roupas e objetos que você doa já fizeram parte da sua vida. Não os trate como lixo, com desdém. Muito pelo contrário, seja grato e tenha em mente que aquilo servirá para alguém.

4 | Sustentabilidade

Há uma frase que circula a internet e que volta e meia aparece no meu feed: “em se tratando do planeta Terra, não existe jogar lixo fora“. E é a mais pura verdade. De nada adianta fazermos um super declutter e aliviarmos nossa casa das tranqueiras, se jogamos tudo no lixo. Precisamos ter a consciência de que no momento em que compramos algo, somos os responsáveis pelo seu destino final. Não quer mais algo e a única opção é o lixo? Tente reciclar. Em último caso, que não haja como reciclar nem reaproveitar, tudo bem. Mas na próxima compra, reflita se realmente precisa comprar aquilo e qual será seu destino final.

5 | Armário-cápsula

Fiz um post aqui falando sobre minha ideia de criar um armário-cápsula. Como já estava nessa vibração do minimalismo, não fiz muitas mudanças. Doei umas peças que ainda restavam (de compras impulsivas), adquiri outras que iriam abrir um leque de possibilidades de combinações novas (roupas de cores neutras, por exemplo), e não mexi mais nele. No conceito do armário-cápsula há uma divisão de roupas de acordo com as estações, o que não funciona no meu caso por dois motivos:

#1 Moro no Rio de Janeiro e tem dias do inverno que faz 34ºC e

#2 Não tenho espaço suficiente para armazenar roupas que não estão em uso. Aqui tenho duas divisões no meu guarda-roupas. Em uma delas, a menos usada, ficam meus casacos e vestidos mais arrumados e na outra ficam minhas roupas do dia-a-dia. Só.

6 | Busque sua identidade

Não é porque algum blogueiro famoso ou personalidade de algum lugar está usando tal roupa / layout / estilo fotográfico / etc. que você deve usar também. Isso nada tem a ver com minimalismo, mas com cópia. Você não precisa copiar ninguém, apenas busque se conhecer e tentar entender o porquê de gostar de tais cores ou estilos. Se sua identidade é ser colorida, mas você quer algo clean, tente adicionar cores na sua vida (leia-se roupas ou decoração) de forma que o espaço não pareça confuso. Dá pra ser você mesmo eliminando os ruídos, ou seja, as distrações que não combinam com você.

7 | Cuidado com a comercialização do minimalismo

Já está claro que o minimalismo chegou com tudo, não é mesmo? Mas, será que isso é bom? Será que com a “moda” do minimalismo, seu sentido verdadeiro não estaria se desvirtuando? Vamos ficar atentos a isso. Atentos se em alguns casos não estão querendo comercializar este conceito apenas para venderem mais, assim como ocorre com os produtos naturais e “de bem com a natureza”.

Já repararam que algumas embalagens de produtos foram trocadas por papel reciclado (ou pelo menos marrom)? Só pra dar aquele ar de “eu cuido do planeta“? Vamos ficar em alerta também em relação a como o minimalismo está sendo colocado para nós. O ideal é sempre tentarmos fazer compras conscientes, e não se deixar levar por rótulos, seja ele minimalismo, ecologia, sustentabilidade entre outros.

Se você quer ler mais sobre esse debate “minimalístico” pela internet, recomendo ler os seguintes posts:

» Precisamos falar sobre minimalismos | Babee

» O minimalismo te fez perder a personalidade? | Teoria Criativa

Se eu pudesse dar algum conselho a vocês, seria: busque sua essência, seja você mesmo e viva sempre no caminho do meio.

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O que fazer quando é difícil desapegar?

25/03/2016 • Desapego

O que fazer quando desapegar é difícil? | Vida Minimalista

Quantas vezes você já fez declutter das mesmas coisas? Roupas, sapatos, livros, memórias… E se estamos trabalhando o desapego, por que sempre voltamos a bater na mesma tecla? Por que não resolvemos tudo desde a primeira vez, como nos ensina Marie Kondo em seu livro A Mágica da Arrumação?

Estas foram algumas perguntas que fiz a mim mesma, quando me vi novamente abrindo meu guarda-roupas e separando peças para doação. Ora, se eu sempre faço declutters separando roupas, livros, CDs e tudo o mais para desapegar, por que ainda guardo comigo itens que não uso e que irão embora na próxima arrumação? Não teria sido mais fácil ficar apenas com alguns poucos itens e desapegar de tudo que eu tinha dúvidas?

Na minha opinião, cada declutter é um processo de autoconhecimento, não apenas descartar objetos aleatoriamente. Pode ser que num primeiro momento seja mais fácil desapegar de um volume maior de itens, pode ser que apenas meia dúzia de peças saiam do seu guarda-roupas, mas a verdade é que cada um tem seu ritmo, seus fantasmas e suas emoções com que lidar.

Quando fazemos uma arrumação selecionando peças que queremos desapegar, não estamos trabalhando apenas com o objeto friamente. Memórias, emoções, tudo acaba vindo à tona, superficializando, como se estivéssemos sacodindo um copo de água com terra. E neste momento, temos que lidar com várias questões que muitas vezes nos sobrecarregam emocionalmente. Lembranças de momentos tristes, felizes, pessoas, tudo vêm à superfície e exige que tomemos uma atitude em relação a cada uma delas. É por isso que o processo do desapego não é algo simples, e nem todos lidam com a mesma forma.

Há pessoas que separam itens pra doação sem apego nenhum. Apenas olham para cada roupa, cada sapato e colocam na sacola de doações. Já há outras, que encaram o processo como algo mais doloroso, já que memórias estão mais associadas a a cada objeto. Neste caso, o processo é mais lento, pois há que se trabalhar melhor as lembranças e emoções que surgem no indivíduo. Cada um é diferente do outro, e por isso não há como padronizar, nem julgar.

Se você não sabe por onde começar seu processo de desapego, comece devagar. Busque seu ritmo, entre em contato com suas emoções e sentimentos. Não se julgue se quiser manter aquela camisa que não serve mais, mas que está carregada de lembranças. O importante é que você tomou consciência de que há algo a ser trabalhado. Pode não ser agora, mas numa próxima arrumação.

Nem sempre temos que tomar uma decisão imediatamente, principalmente nos primeiros declutters. O mais importante de uma primeira arrumação, é tomarmos consciência do que temos, do volume de itens que não nos servem mais. Claro que o melhor é desapegar, mas se for um processo difícil, relaxe. Tenho certeza que numa próxima vez você saberá lidar melhor com as emoções e sentimentos associados a cada item colocado de volta no armário, afinal, cada um tem seu tempo. Cada um tem sua história.

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O que aprendi com o livro Manual de Limpeza de um Monge Budista

04/03/2016 • Inspirações Livros

O que aprendi com o livro Manual de Limpeza de um Monge Budista | Vida Minimalista

Uma das ideias que tenho pra nova fase do Vida Minimalista é compartilhar com vocês insights e aprendizados que obtive durante a leitura de alguns livros. Não será uma espécie de resenha super elaborada, mas sim debater alguns conceitos, trazer reflexões mais relacionadas ao conteúdo de livros/filmes/documentários do que a própria resenha em si.

Hoje vou falar um pouco sobre alguns insights que tive ao ler o livro Manual de Limpeza de um Monge Budista, o qual já fiz resenha lá no Vida Conectada (clique aqui para ler). O primeiro ponto que percebi ao ler este livro, é que devemos sempre estar com a mente aberta para aprender sobre uma outra cultura. Em vez de pensar, por exemplo, como eles são metódicos demais com a limpeza e higiene, é sempre bom se inserir na cultura do outro pra tentar compreender os motivos de tais hábitos. Quando falamos de limpeza de monges budistas, estamos nos referindo a pessoas extremamente organizadas, com uma cultura de cooperação muito forte e uma disciplina incomparável.

A limpeza dos toaletes

Segundo o autor, Keisuke Matsumoto, se o banheiro de uma casa estiver negligenciado, a impressão da casa inteira também ficará, podendo ficar manchada a hospitalidade do anfitrião. Por este motivo, eles costumam investir muito tempo e energia na limpeza dos toaletes.

A faxina é feita pela manhã e à noite, mas é claro que podemos adaptar à nossa realidade, afinal, dificilmente no nosso dia-a-dia temos condições de limpar o banheiro duas vezes por dia, mas podemos dedicar algumas horas no fim de semana para dar uma arrumada geral. Quanto mais tempo deixamos para limpar qualquer parte da casa, pior será a próxima faxina.

Alimentação e atenção plena

Outro ponto importante para eles é a cozinha. Um local quase sagrado, onde os alimentos – fonte da vida – são preparados. Ao se alimentarem, os monges permanecem em silêncio, prestando atenção ao seus alimentos e evitando sempre o desperdício. Essa é um conceito de Mindfulness, ou em português, Atenção Plena. Eles costumam comer até se sentirem mais ou menos 80% satisfeitos, o que faz bem pro organismo e pra digestão. Na verdade, o cérebro demora um pouco pra que o estímulo de saciedade chegue, então quando comemos depressa e em grandes quantidades, quando percebemos que já estamos saciados, é porque já estamos estufados e passando dos limites.

Essa lição de atenção plena é muito importante pra mantermos uma vida mais saudável, já que nos proporciona um momento de interação com o alimento, de consciência do que estamos comendo e nos faz perceber melhor a textura, o sabor, o aroma e tantas outras características, além de nos ajudar a desacelerar da correria das nossas rotinas. Uma ótima lição para quem tem o costume de jantar assistindo TV, conversando alto ou mexendo no celular. Claro, um jantar em família não é pra ser em silêncio absoluto, mas é sempre bom não tratarmos o nosso alimento como apenas um coadjuvante.

“Mastigue cada porção devagar e pare quando o estômago estiver 80% cheio. Mastigue bem, e o estômago será estimulado: a saciedade virá mais cedo e a vontade de comer por impulso diminuirá.”

A importância do desapego

O que mais me chamou a atenção no livro foi a parte do desapego. Eu tenho uma espécie de radar que sempre está alerta para quaisquer sinais de minimalismo, desapego e simplicidade em todas as minhas leituras, filmes e por onde eu passar. Há, no livro, um capítulo sobre a importância do desapego, e na visão do autor, “a vida sem bens materiais é bastante agradável“, proporcionando liberdade de espírito. Ele ainda afirma que somente o que é bom permanece ao seu lado quando temos poucos e seletos objetos.

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Eu particularmente gostei bastante dessa leitura. Por mais que seja um livro rápido de ler, sempre é bom se inspirar no modo de vida de outras pessoas e outras culturas, para podermos aproveitar dicas e adaptarmos à nossa realidade. O livro fala sobre uma vida monástica, na qual vivem em média 10 monges em cada aposento com seus poucos pertences e vivem em função do templo, mas mesmo nós, vivendo em cidades grandes, tendo muitas vezes uma rotina de trabalho e estudos, podemos extrair a essência de cada dica e ensinamento e aplicar um pouco em nossa rotina.

Acho que os principais aprendizados que tive do livro foram a de comer com atenção plena, cuidar bem da cozinha e do banheiro, ter apenas aquilo que nos faz bem e nos traz liberdade, e claro, manter nosso lar limpo para nosso próprio bem-estar e conforto. Afinal, uma casa limpa e acolhedora é sempre bem-vinda.

Quem também já leu este livro? O que achou? Compartilhe suas opiniões!

» O livro Manual de limpeza de um monge budista pode ser adquirido no site da Amazon.

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