Pelo direito de gostarmos (ou não) de algo

17/03/2015

mais-respeito

Ultimamente tenho notado um crescente incômodo das pessoas em relação à opinião e gosto alheio. Não precisa ir muito longe. Constantemente me deparo com algum debate acalorado pela internet quando alguém cita que não gostou de 50 tons de cinza, por exemplo. E então surgem dezenas de internautas para apedrejar quem deu a opinião e defender a qualidade da obra, algumas vezes até passando do limite do debate saudável sobre o tema extrapolando para a agressividade direcionada a quem teve uma opinião divergente. Ódio gratuito.

Estamos vivendo uma cultura na qual o nosso ego sempre fala mais alto. Temos a mania de achar que nossa opinião, nossos gostos e modo de viver é o mais correto e o outro está sempre errado. O outro não pode ter sua própria opinião, não pode pensar diferente, pois isso só demonstra o quanto ele não é tão inteligente como eu. Não é tão perspicaz como eu. E continuamos ecoando eternamente o eu, eu e eu…

Também vivemos em uma cultura na qual temos que ter um argumento plausível para tudo. Se não gostamos de algo e não temos um fundamento para esse “não-gostar” caso nos deparemos com alguém de opinião oposta, somos massacrados por frases intelectuais e sufocados por argumentos que provam por A mais B que estamos errados por não termos gostado de algo que todos estão gostando. E aí que me questiono, o que é gostar de algo?

Eu não preciso refletir e fazer um artigo científico com argumentos válidos sobre os motivos de ter simplesmente me identificado com um filme, livro ou artista. Gostar de algo ou alguém vai muito além de um simples argumento racional. Um filme pode ser considerado fraco pela crítica e ter se tornado o meu favorito do ano. Uma cantora pode ser desafinada, mas por seu carisma, ter conquistado alguns fãs. O que não podemos é querer julgar e convencer do contrário quando alguém gosta ou desgosta de algo.

Trocar ideias sobre um assunto que causa opiniões diferentes é saudável. Às vezes não nos identificamos com algo por simplesmente desconhecer algum fato interessante. E então quando temos mais informações, podemos passar a admirar o que antes não nos causava identificação. O mesmo pode ocorrer de forma contrária, de gostarmos de algo e ao sabermos de mais detalhes, passarmos a não gostar tanto como antes. E isso é normal. Essa troca de informações é saudável, pois é uma forma de adquirirmos conhecimento e sabermos um pouco da visão do outro sobre um objeto. No entanto, impôr nossa opinião ao outro e subjugarmos a quem tem gosto diferente já é um grande sinal de que nosso ego está saindo um pouco do controle.

Por um mundo com menos agressividade e com mais respeito à opinião alheia. Ninguém é obrigado a gostar do mesmo que nós. Nem do filme, nem do livro, na política ou no estilo de vida. Por um mundo com menos pessoas tentando nos convencer de que suas escolhas são as melhores e as nossas, as piores. Por um mundo no qual possamos ser livres para gostarmos de coisas consideradas ruins e não gostarmos de coisas consideradas boas. Porque na maioria das vezes é apenas uma opinião. E a nossa subjetividade, nossas opiniões diferentes, é o que constrói nossa identidade. É o que nos faz sermos quem somos.

Por um mundo com menos ódio e mais respeito.

Vamos minimalizar nossa agressividade? ❤

Vida Minimalista: O Recomeço

09/03/2015

Tem certas coisas que ocorrem em nossas vidas que não conseguimos compreender no momento em que estão acontecendo. Tudo parece confuso demais e a visão futura parece meio turva. Foi num desses momentos que decidi – após muito refletir – que seria a hora de desapegar do Vida Minimalista, já que eu não estava encontrando uma sintonia, nem me enxergando mais nele.

Todo o conteúdo, no entanto, pôde ser encontrado facilmente no meu blog pessoal. Não iria me desfazer dos meus textos, e tampouco deixaria indisponíveis a vocês. Sei que o que escrevi durante a trajetória do blog foi importante, tanto para mim quanto para meus leitores, que através de algumas dicas e histórias da minha vida conseguiram encontrar um ponto de equilíbrio em suas vidas tão conturbadas. Não foram poucos os emails que eu recebia (e recebo até hoje) me mostrando o carinho que vocês têm por mim e o quanto são gratos por eu tê-los ajudado, mesmo que inconscientemente, com minhas reflexões acerca do consumismo, relacionamentos e comportamentos do mundo atual.

Minha decisão de fechar o blog não foi tomada de um dia pro outro. Há um tempo eu já estava desmotivada pelo rumo que o movimento minimalista (uau, se tornou um movimento?) vinha tomando ultimamente, com pessoas radicais demais a ponto de criarem desavenças sobre o assunto, numa energia competitiva demais. Em 2010, quando descobri que poderia simplificar minha vida, ainda não se falava muito sobre o assunto aqui no Brasil. Por causa disso, eu lia muitos blogs estrangeiros de pessoas que já estavam aplicando o desapego, desfazendo dos excessos da vida e tentando viver uma vida com mais foco naquilo que realmente interessava a eles. Abri o blog para registrar minhas experiências, minhas tentativas de encontrar um caminho mais leve e não imaginava que conseguiria unir tantas pessoas com a mesma sintonia e afinidade. Passei então a ser responsável por transmitir uma mensagem, uma bela mensagem a todos que por algum motivo, acabavam lendo meus textos, deixando seus comentários, me enviando emails e depoimentos de como suas vidas estavam melhores.

Seria prepotência minha afirmar que fui responsável por mudar a vida dessas pessoas. Na verdade, cada um descobriu o seu caminho com seus próprios méritos, buscando um autoconhecimento e refletindo sobre suas próprias atitudes. Meus textos podem ter contribuído para um pequeno pontapé inicial, mas o mérito é sem dúvidas de cada um de vocês.

Acredito que nada é por acaso e que em todo momento que consideramos ruim, podemos extrair algum ensinamento, algo de muito bom, e foi isso que aconteceu neste pequeno tempo em que tirei o Vida Minimalista do ar. Pude refletir, longe do redemoinho de emoções, o que eu realmente estava fazendo, do que eu precisava e também o que eu poderia fazer melhor. Pisei no freio e com calma pude avaliar toda a situação, e então comecei um processo de reler meus próprios textos. A cada texto que eu lia, percebi a necessidade de reorganizar minhas prioridades, me livrar do que não me servia mais e voltar ao caminho do meio.

Após a situação extrema de tirar o Vida Minimalista do ar, senti que deveria voltar a ter esse espaço específico para este tema, também como uma forma de retribuição ao carinho que todos vocês tiveram comigo e com o blog por todos esses anos. Hoje sou grata a cada comentário, cada email recebido e cada leitura, mesmo que de forma anônima. Sou grata por essa oportunidade de aprendizado que tive e também por ter conseguido alcançar alguns objetivos pessoais e profissionais devido ao estilo de vida mais simplificado que estabeleci. E pra retribuir todo esse carinho, o Vida Minimalista está de volta ao seu espaço próprio.

Como afirmei acima, nada é por acaso. Hoje, me sinto mais renovada e motivada a manter este blog que me é tão especial. Enquanto lia cada artigo, fui fazendo uma revisão, atualizando informações, consertando links que estavam “quebrados” (não apontavam para lugar algum) e arrumei as imagens. Fui, aos poucos, dando uma “cara nova” ao Vida Minimalista, reduzindo o número de categorias, deixando o layout mais clean e desapegando do que não combinava mais com essa nova fase do blog. Aos poucos irei revisando e colocando no ar os outros posts que faltam. Vocês não imaginam a sensação de renovação que estou sentindo ao fazer um declutter radical no meu próprio blog! Essa é a prova de que nada é por acaso. Precisei me afastar dele, dar um passo atrás para ter energia para continuar a caminhada.

Não prometerei escrever com a mesma frequência de antes, mas tenham a certeza de que cada artigo que for ao ar, será produzido com muito carinho e cuidado.

Sejam bem-vindos de volta e espero que gostem do novo espaço. A casa é velha, a mesma de sempre, mas está sendo reformada com muito carinho. E a cada dia aprendo que nada é definitivo e nada é eterno. O mundo dá voltas e muda nossas certezas a cada momento.

Muito obrigada!

“Não importa quantos passos você deu para trás, o importante é quantos passos agora você vai dar pra frente.” - Provérbio Chinês

imagens daqui e daqui

Limpe sua mesa

26/11/2014

Limpe sua mesa | Vida Minimalista | vidaminimalista.com

Sempre que vamos dar início a algo importante em nossas vidas é preciso que estejamos preparados. Seja um novo projeto de vida, um novo negócio ou simplesmente estudar para uma prova, é fundamental que cuidemos para que o ambiente esteja propício para que haja o mínimo de interferências possíveis.

Quantas vezes não somos impulsivos, tomamos alguma decisão precipitada sem antes refletir, sem antes ponderar e organizar o “terreno” para que tudo dê certo? A preparação para qualquer decisão ou ação que vamos tomar é fundamental. É através dela que podemos meditar sobre todos os passos que devemos tomar e encontrar o melhor caminho para que possamos ter sucesso em nossos empreendimentos.

Limpar a mesa“, neste sentido, significa preparar o terreno para algo novo, eliminar distrações e o que não nos serve no momento. Limpar a mesa diz respeito a virar a página, a desapegar e a começar a escrever em uma nova página em branco, sem resquícios de problemas passados.

Limpar a mesa é um conselho que dou a todos que se queixam de sobrecarga emocional e que precisam tomar decisões importantes no momento. Quem nunca sentou-se pra trabalhar em uma mesa bagunçada e não conseguiu produzir nada devido às distrações e à bagunça no local? Não apenas uma mesa de escritório precisa ser limpa, mas também nossa mente.

Quando não limpamos nossa mesa antes de começarmos o dia ou uma nova fase de nossas vidas, a sujeira e bagunça anterior certamente deixará nossa visão turva e a mente confusa. Portanto, aproveite hoje mesmo para limpar sua mesa, seja ela física ou emocional. Não deixe que resíduos atrapalhem seu caminho e sinta a energia da criatividade fluir em meio a um ambiente limpo, tranquilo e sereno.

E você, já limpou sua mesa hoje?