31/10/2014

Sobre a Raiva (e outros sentimentos negativos)

Categoria: Comportamento

Sobre a Raiva (e outros sentimentos negativos)

Esta semana fui a uma palestra budista sobre Como identificar e combater nossa raiva, na UERJ e aprendi muito com as sábias palavras do monge Kelsang Drime, da Nova Tradição Kadampa.

Segundo o monge, a raiva atua em nossa mente como uma lente de aumento, piorando os aspectos negativos de uma situação que nem sempre é como pensamos. Perdemos o controle, a razão e com isso podemos colocar em risco pessoas, empregos e relacionamentos. Ficamos cegos, perdemos a capacidade de pensar racionalmente sobre o problema, e com isso acabamos tomando decisões estúpidas das quais provavelmente nos arrependeremos depois.

Mas como lidar com um sentimento que surge do nada, de forma impulsiva e que nos tira da razão? Será que é possível passar por alguma situação complicada e não sentirmos raiva, ou até mesmo ódio?

Observar como a raiva surge é o primeiro passo. Na maioria das vezes, nossa própria mente começa a distorcer a realidade exacerbando seu aspecto negativo e ignorando o positivo. Passamos a enxergar com uma lente negativa e a criar nossa própria narrativa sobre o outro, que na maioria das vezes não passa de fantasia. Claro, há situações que não ocorrem desta maneira, mas quando o outro nos causa aflição, raiva e desprezo, na verdade, nós somos os responsáveis por deixarmos que o sentimento se instale em nossas mentes.

Quem nunca ficou com raiva do transporte público cheio, da fila do banco, do atendente lento ou de um simples bom dia de um colega naquela manhã que acordamos de mal-humor? Será que a culpa é dos outros? Será que o motorista que demorou para sair com o carro assim que o sinal ficou verde merece nossa raiva? Novamente, a responsabilidade pelo que sentimos não é dos outros. É nossa.

Somos nós que nos permitimos sentir raiva. Somos nós que permitimos que a raiva dos outros nos afete. Foi criticado e achou uma injustiça? Pra que rebater de forma descontrolada? Silencie a mente, respire fundo e tente esclarecer. Além disso, o que o outro pensa sobre nós – de forma infundada – não nos diz respeito. Não devemos nos preocupar com o que o outro pensa. Não somos responsáveis pela opinião dos outros, apenas pelas nossas. Jamais deixe que o outro te desequilibre. Mantenha-se no caminho sereno e racional, refletindo se todos os motivos que o fez sentir raiva realmente são relevantes a ponto de causar mal-estar.

Muitos podem dizer que a teoria é linda, mas que a prática não é tão fácil. No entanto, no momento em que conseguimos observar as pequenas sensações desagradáveis que surgem ao longo do nosso dia e a eliminamos no início, evitamos que vire uma bola de neve. Pequenos focos de incêndio podem ser apagados assim que surgem, basta não aceitarmos tal sentimento que, aos poucos, conseguiremos lidar com outros mais complicados. É certo que nem tudo é relevável, mas se eliminarmos as pequenas aflições diárias, aprenderemos cada vez mais a lidarmos com situações mais desagradáveis.

É um desafio a ser aplicado no dia-a-dia. Agora, só nos resta observar quando o foco se inicia, para deixarmos a sensação desagradável ir embora da mesma forma que chegou. Afinal, podemos escolher absorver tal sentimento e passar o resto do dia remoendo com rancor ou simplesmente desapegarmos e continuarmos de forma leve em nosso caminho.

OBS.: Falei um pouco mais sobre a palestra no meu blog pessoal.

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30/10/2014

Simplificar a vida, afinal, é uma meta ou um caminho?

Categoria: Pensamentos

Simplificar a vida, afinal, é uma meta ou um caminho?

Quando conheci o conceito de uma vida minimalista, um pouco antes de criar meu blog, me imaginava vivendo uma vida completamente diferente. Com poucas posses, poucas preocupações, desapegada da internet e com um constante sorriso no rosto. Me empolguei e comecei a revolução em minha própria vida: doei roupas, pertences, eliminei o que não combinava mais com minha personalidade, reprogramei minhas metas e fiz muitos, muitos mapas mentais. Adotei novos hábitos alimentares, fiquei mais saudável, pratiquei Yoga e conseguia manter a concentração mesmo naquela aula chata da faculdade. Minha produtividade aumentou, minhas notas aumentaram e assim tudo pareceu ter mudado ao meu redor.

O tempo passou e cheguei em um ponto em que, satisfeita com a vida que eu estava levando, alcancei uma meta. Agora só precisaria me manter no caminho e viver em paz. No entanto, fui percebendo ao longo da minha jornada que uma vida mais simples não é uma meta a ser alcançada. Não há uma linha de chegada, mas sim, um caminho a ser percorrido constantemente.

Comprei um sapato aqui, uma roupa ali, cadernos, canetas coloridas e quando menos esperava, comecei a me sentir perdida em meio a tantos objetos inúteis, pensamentos inúteis e sentimentos que não me acrescentavam em nada.

Percebi que uma vida simples não é questão de chegar a um destino, mas sim a própria estrada. É no nosso dia a dia que tomamos as melhores decisões, que fazemos escolhas e principalmente, refletimos sobre cada passo que damos. Cair no erro do viver automático – armadilha tão fácil na correria diária – só me fez sair um pouco dos trilhos e agitar minha mente. Agora é hora de voltar a meditar, de voltar a praticar minha yoga diária (que parei por umas semanas) e viver de forma mais consciente. Afinal, nunca é tarde para abrir o guarda-roupas, doar, fazer uma limpeza na casa, na mente e buscar novamente o caminho no qual estava percorrendo.

Fiquei um pouco afastada do blog por diversos motivos, entre eles, o famoso bloqueio criativo. Não sabia o que escrever aqui, já que me sentia cansada, sobrecarregada e com a mente confusa, embora tudo parecesse normal na minha vida. Sabe quando abrimos o editor de texto e apenas observamos o cursor piscando, mas sem nada de interessante a compartilhar? Por um tempo pensei que estava vazia de ideias mas depois de fazer um despejo mental, percebi que na verdade havia tanto a ser dito que eu mal conseguia colocar no papel de forma ordenada.

Neste momento olho ao meu redor e me pergunto por que me sinto tão sobrecarregada, mas a resposta é simples: segundo o Tao (que ando estudando ultimamente), os opostos são apenas complementos. Não há bom nem ruim. Sempre há uma função para cada extremidade, e me enxergar novamente no caos só me faz ter mais forças para respirar fundo, levantar e começar a mudança novamente para que eu volte ao meu caminho.

❤ Que venham as mudanças! Quantas vezes forem necessárias. ❤

E você? Já se sentiu fora dos trilhos também? Qual estratégia usou para voltar ao caminho?

23/10/2014

Carta do Leitor: Qual é o peso que você carrega?

Categoria: Carta do Leitor

Carta do Leitor: Qual é o peso que você carrega?

Hoje venho trazer mais um depoimento pra sessão Carta do Leitor. Fazia tempo que eu não publicava um depoimento aqui, e hoje venho lhes apresentar a Silvana dos Santos, uma mineira que conseguiu superar diversas pedras que surgiram em seu caminho e contou sua história de superação. Ela faz parte do grupo Vida Minimalista no Facebook e publicou seu relato lá mas me autorizou a postar aqui no blog para aqueles que não possuem Facebook. Vamos lá?

Às vezes o resultado demora. Bate o desanimo… Mas o mais gostoso quando vc decide mudar sua vida é a AUTO ESTIMA, essa sim, vale a pena!

Comecei minha luta em um grupo de Reeducação Alimentar, em Janeiro de 2013 com 117 kg, no auge de uma depressão. Não me cuidava mais, não tirava fotos, não me maquiava, enfim… estava deixando a vida passar. Junto com os incentivos do grupo, resolvi mudar minha vida. Mudar meu destino e tentar entender o que acontecia com MEU CORPO, MINHA MENTE E MINHA ALMA.

Em um ano de Reeducação Alimentar (Jan/13 a Dez/13) consegui eliminar 28 kg. Minha dieta era uma RA (Reeducação Alimentar) com direito a jacadas nos finais de semana. Nesse tempo, não abri mão de uma cervejinha e um prato de tira gosto no final de semana. Sempre postei meus pratos no grupo e fui muito criticada por isso, principalmente os de sábado à noite, mas mesmo assim, estava emagrecendo e o melhor, não deixava de viver, pois minha RA era seguida a risca de segunda a sexta feira.

Nesse meio tempo, resolvi montar um grupo para mim. O Vem ser Light, que chegou a 11 mil membros e foi extinto, devido a vários motivos que não vem ao caso.

Durante os meses de Dez/13 a Abril/14, meu fantasma voltou. Eu não conseguia mais me controlar e tinha várias crises de TCAP (Transtorno de Compulsão Alimentar Periódica) e voltei a engordar, chegando a 103 kg em Abril. Eu sofri muito nesse período, pois como incentivadora de um grupo, eu me sentia mal em não dar o exemplo e o apoio que todas procuravam em mim. Em Junho de 2014 fui convidada para ser madrinha de casamento, e esse casamento iria se realizar no dia do meu aniversário de 40 anos. Aniversário esse, que eu sonhava chegar: Linda, Loira e Magra…

Resolvi apelar para a Dieta Dukan, mesmo indo contra todos os meus princípios com relação a dietas restritivas, pois desde que conheci a RA eu sempre defendi um emagrecimento em cima de uma ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL. Mas dessa vez meu imediatismo falou mais alto e resolvi tentar.

Fiz a dieta Dukan de 30/07/2014 a 30/09/2014. Não consegui seguir por mais tempo, mas confesso que adorei a experiência. Não pelos poucos quilos que eliminei, mas por entender um pouco mais sobre os meu TCAP e minha compulsão por carboidratos. Hoje estou com 91 kg. Minha luta não é fácil. Muitos podem dizer que é falta de foco… Mas eu digo: Vai além…

Recentemente tenho trabalhado meu psicológico de uma forma mais apurada. Descobri o “Minimalismo” e vi que os “Excessos” em minha vida vão além da obesidade. Descobri o quanto eu era “Consumista”, “Impulsiva”, “Compulsiva” e o quanto eu estava cercada também de pessoas negativas, objetos com energia acumulada, e resolvi pôr em pratica e me livrar de toda a negatividade.

O Grupo Vem ser Light, foi o primeiro. Fiz muitas amigas no grupo, recebi muitos incentivos, mas a medida que o grupo crescia, crescia também os MIMIMIS e aquilo estava me fazendo mal. Administrar aquilo estava se tornando insuportável para mim. Estava procrastinando minhas coisas e não era esse o meu objetivo de vida. Em seguida dei uma limpa no meu facebook, exclui pessoas que nunca me deram um “Oi” e só postavam besteiras que nada tinham a ver com a minha vida na net e eu me pegava lendo aquilo e meu tempo indo embora junto.

Depois passei para minha casa. Dei uma verdadeira FAXINA. Me livrei de objetos acumulados, roupas que não usava há anos, me desfiz de tralhas, parei de comprar tralhas que so acumulavam poeira, passei a dar mais valor ao meu dinheiro e comprar somente o necessário. Com isso meu tempo DOBROU. Hoje tenho tempo para fazer minhas atividades físicas, escolher melhor minha alimentação, cuidar dos que AMO E ME AMAM… Enfim, tenho tempo para CUIDAR DE MIM.

Minha dieta hoje: Levar uma vida light, minimizar o estresse em todos os sentidos, gastar menos com besteiras, viajar e curtir mais a vida. Comer menos (o suficiente para me manter saudável), cortar os exessos em todos os sentidos e aprofundar os meus conhecimentos em cima de uma vida minimalista e sobre o vampirismo de energia.

Quanto à balança? Bom, essa não me assusta mais. Eu quero é viver LEVE, LIVRE E SOLTA, ter energia para concluir minhas tarefas, parar de procrastinar a vida e com certeza, um dia os digitos da balança darão os números que a sociedade tanto cobra. Hoje o que quero é me SENTIR BEM. Ser a “SIL” de sempre.

Estou por ai!! De vez em quando eu apareço no grupo que tanto amo falando um pouco mais dessa minha luta que para muitos pode não ter nada a ver com o Minimalismo, mas para mim, fez todo o sentido na minha mudança de vida, da forma de me olhar no espelho e a valorizar o que a vida me deu de melhor: “O sorriso”.

Carta do Leitor: Qual é o peso que você carrega?

Inspirador, não é? E você, tem alguma história pra contar? Envie para contato@vidaminimalista.com, se quiser pode anexar fotos. Caso não queira ter seu nome publicado, manterei sua privacidade.